Napoleão
Bonaparte fica furioso por ter sido derrotado pelos Ingleses na Batalha de
Trafalgar, e
decreta o Bloqueio Continental onde exige que todos os Países Europeus
fechem os seus portos aos barcos Ingleses, para assim os debilitar e
provocar-lhes uma crise interna.
......Portugal
que nesta altura era governado pelo ainda príncipe-regente
Dom João VI,
não acatou essa ordem de bloqueio devido a uma aliança que tinha com a
Inglaterra, e deve ser aqui que os historiadores consideraram que teria
existido pouca habilidade diplomática.
......Napoleão
ficou furioso por Portugal um pequeno País à beira mar plantado, não ter
acatado a sua ordem de Bloqueio Continental ao comércio com a Inglaterra.
......Na
página 147 do livro A Villa de Vallongo, diz o
seguinte sobre este episódio da nossa história:
......Napoleão
jurou vingar-se de Portugal, e em segredo celebrou com o Rei de Hespanha,
Carlos IV, o tratado de Fontainebleau, onde ficou acordado que as tropas
Francesas poderiam atravessar o território Espanhol para invadir Portugal. ......Depois
de conquistado o Reino de Portugal, devia ser riscado do numero das Nações
e dividido em três partes, que seriam repartidas da seguinte maneira:
......A
parte compreendida entre entre o Douro e o Minho, onde está Vallongo,
pertenceria ao Rei da Etruria; o Algarve e o Alentejo ficariam para o Rei de
Hespanha, e o resto ficaria em poder de França.
......Para
conseguir este fim começaram aquelas invasões, que todos conhecem e que tanto
mal fizeram a Portugal e a Vallongo.
......No ano de 1807 acontece a primeira Invasão
Francesa. ......Com
a conivência de Espanha para poder atravessar o seu território, Napoleão
Bonaparte manda as suas tropas invadir Portugal.
Esta
primeira Invasão Francesa foi comandada pelo General
Junot.
......As
tropas Francesas comandadas por Junot, vinham com ordens para invadir Portugal
pela zona do Tejo e seguir rapidamente para Lisboa para aprisionar a família
Real.
......Mas a aridez do terreno, e as muitas
dificuldades que as tropas foram encontrando pelo caminho quase acabaram com
elas, e quando chegaram a Lisboa a família Real e as Cortes já tinham partido
com malas e bagagem para o Brasil.
......Alguns historiadores
dizem mesmo que quando as primeiras tropas Francesas entraram em Lisboa, ainda
viram ao longe, no Mar, as velas das Caravelas mais atrasadas que seguiam para
o Brasil com as Cortes e a família Real.
......Nesta
primeira Invasão Francesa as tropas Francesas comandadas por Junot, mantiveram
Lisboa ocupada durante algum tempo, mas após muitas rebeliões, e depois com o
auxilio de tropas Inglesas os Franceses foram expulsos de Lisboa, e acabaram por
abandonar Portugal.
......No ano de 1808 a
família Real e as cortes partem para o Brasil.
......Mal chegaram a Lisboa notícias de que
as tropas Francesas estavam a invadir Portugal, a família real é aconselhada a
partir para o Brasil, para que não viesse a ficar aprisionada pelas tropas
Francesas.
Existem
muitas gravuras e pinturas, que retratam a partida da família Real, das
Cortes e de toda a Governação do Reino para o Brasil, no ano de 1808.
Pela
quantidade de Veleiros que se vêem em todas as gravuras, a logística para fazer
o transporte de toda a família Real, das Cortes e de toda a Governação do Reino
com armas e bagagens para o Brasil, deve ter sido impressionante.
Em todas
as gravuras e pinturas onde está representada a partida da família Real para o
Brasil aparece a Torre de Belém, por isso deduzo que o embarque foi por aqui
pela zona de Belém.
A
Torre de Belém que
aparece em todas as gravuras e pinturas, que retratam a partida da família Real
para o Brasil, já existe desde o ano de 1520, desde a altura dos
descobrimentos.
Uma
pintura que retrata a chegada da comitiva da Família Real, das
Cortes e de toda a governação do Reino ao Brasil, no dia 7 de Março de
1808.
......Apesar
de toda a logística, e da enorme quantidade de Veleiros que foi necessário para
fazer o transporte de toda a família Real, das Cortes, e de toda a governação
com armas e bagagens para o Brasil, tudo acabou por correr bem.
......E
todos se instalaram na cidade do Rio de Janeiro, que nessa altura ficou a ser a
capital do Reino, que passou a chamar-se Reino Unido de Portugal do Brasil e
dos Algarves.
.....Esta
situação da família real ficar a governar a partir da cidade maravilhosa, que é
o Rio de Janeiro, veio a manter-se até ao ano de 1820, quando o Rei foi
obrigado a regressar a Portugal, porque estavam a acontecer revoltas populares
um pouco por todo o Reino.
......No
ano de 1809 acontece
a segunda Invasão Francesa.
......Logo
após a retirada das tropas da primeira invasão Napoleão manda novamente invadir
Portugal, nesta segunda invasão as tropas Francesas foram comandadas pelo General
Soult.
......Nesta
Segunda Invasão quem sofreu mais foi o Norte de Portugal, toda a zona Norte foi
muito massacrado pelas tropas Francesas, no Porto aconteceu o desastre da Ponte das Barcas, onde terão morrido mais de 4 mil
pessoas na fuga às tropas francesas, quando tentavam atravessar o Rio
Douro.
......Na
página 148 do livro A Villa de Vallongo, diz o
seguinte sobre a Segunda Invasão Francesa:
......Mas
novas desgraças nos estavam reservadas, porque em 1809 o General Soult às
ordens de Napoleão vence com 30 mil soldados na Galiza o exército Anglo-Espano,
toma a Corunha a 20 de Janeiro, ocupa Tuy d'aí a um mez.
......E
atravessando o Minho apodera-se de Valença e Braga a 20 de Março, caindo logo
sobre o Porto, que então era defendida por 24 mil soldados e 200 bocas de fogo,
comandados pelo próprio Bispo, estas tropas fizeram frente ao inimigo e
venceram-no nos dias 27 e 28.
......Mas
no dia 29 os Franceses redobrando as suas forças, forçaram os Portugueses já
gastos e cansados a abandonar a Cidade do Porto, retirando-se para Villa Nova
de Gaya tendo levantando os alçapões da Ponte de Barcas que havia no rio, com o
fim de oporem uma barreira ao inimigo.
......No
dia 29 de Março de 1809 aconteceu o trágico acidente da Ponte das Barcas, que
enlutou toda a Cidade do Porto, terão morrido mais de 4 mil pessoas, porque ao
fugirem à frente das tropas Francesas, terão tentado atravessar a ponte para o
lado de Vila Nova de Gaya, sem verem que os alçapões da ponte estavam
levantados.
......No
ano de 1809 acontece o desastre da Ponte das Barcas.
A
tela original evocativa da tragédia
da Ponte das Barcas, encontra-se num altar da Igreja de São José das Taipas, junto ao Jardim
do Carregal.
A
tragédia da Ponte das Barcas.
Nesta
antiga tela podemos ver como era a Ponte das Barcas.
Esta ponte
que era feita de Barcas, tinha um engenhoso sistema de abertura, a que o Padre Joaquim no
livro A Villa de
Vallongo chama alçapões, que eram abertos para dar passagem aos barcos que
pretendiam subir o rio.
Na Ribeira do Porto,
mesmo em frente ao local onde existia a Ponte das Barcas, foi erigido um um altar em homenagem às vitimas do
desastre, onde se pode fazer uma oração
ou colocar uma vela, neste local existe uma placa informativa do Município que
diz o seguinte:
......Baixo relevo em
bronze realizado em 1897 pelo escultor Teixeira Lopes, representa a
Tragédia da Ponte das Barcas ocorrido aqui a 29 de Março de 1809, aquando do
cerco da Cidade pelas tropas Francesas do Marechal Soult, centenas de populares
em fuga tentaram atravessar o Rio Douro lançando-se à ponte que cedeu sob o seu
peso, este é hoje um local de crença e devoção das gentes do Porto.
É este o
baixo-relevo em bronze onde está representada a Tragédia da Ponte das
Barcas.
......Na
página 149 do livro A Villa de Vallongo, continua a narrativa sobre a
Segunda Invasão Francesa:
......Foi
então que se deu esse acontecimento que encheu de luto a cidade toda, porque
atras do exército correu o povo que fugia dos Franceses a quem olhava como
inimigos e de quem fazia o conceito de feras, e que não podendo com a
precipitação notar a ruptura da ponte se foi um ao outro empurrando para o
abysmo.
......Calcula-se
que terão morrido umas 5:000 pessoas, muitos senão todos os historiadores, lançam a
culpa d'este desastre ao Bispo e outros dirigentes do exército a quem alcunham
de ineptos e ignorantes na arte da guerra, mas a nós parece-nos serem modos de
ver as coisas.
......Pois
que assim como a fuga do exército e a ruptura da ponte produziram consequências
tão funestas, se o povo não corresse tão doidamente atrás d'ele, o que não
podia ser previsto, tal acção podia até julgar-se como grande medida
estratégica, pois assim livravam-se as tropas de uma derrota certa, poupava-se
ao Porto uma ruína notável e formava-se no rio uma trincheira que o inimigo com
dificuldade superaria.
......Ficando
senhores da cidade do Porto, os franceses conservaram-se n'ela por espaço de 45
dias, durante os quais roubaram tudo quanto encontraram de valor tanto nas
Egrejas e Conventos, como nos edifícios públicos.
......Na página 150
do livro A Villa de Vallongo, continua a dizer sobre a Segunda Invasão
Francesa, e sobre uma Divisão Francesa que foi enviada para Valongo:
......Depois
de 45 dias no Porto o exército Francês avança sobre Lisboa, mas foi vencido em
Grijó pelo exército Alliado, Soult recolheu novamente ao Porto, e
mandou logo a divisão comandada por Mermet para Vallongo, afim de
conservar as comunicações entre o Porto e Amarante para onde tinha transportado
a sua artilharia e bagagens.
......Foi quando
essa divisão Francesa comandada por Mermet chegou a Vallongo, que esta
terra começou a sentir verdadeiramente os effeitos horrorosos désta guerra
invasora e iniqua, feita por soldados desmoralizados, e de fé perdida pelas
ideias revolucionárias em que viviam há muitos anos.
......Os
Franceses senhores de um País que julgavam conquistado, levaram por toda a
parte a tyrania, a miséria e a morte, e era tal o medo que d'aquela gente
estava o povo possuído que à sua chegada aqui, grande parte dos habitantes,
escondendo os seus tesouros e haveres, fugiram para lugares escondidos e
distantes. ......A Majestosa
Igreja de Vallongo, que então estava só em paredes e coberto, foi
convertido pelas tropas Francesas em cavalariça e arsenal, os soldados,
aboletados por jeito ou à força nas casas particulares, praticavam aí com uma
petulância e atrevimento inaudito toda a sorte de patifarias e desordens.
Valongo
era assim na altura em
que o Marechal Soult mandou para aqui uma divisão comandada por um tal Mermet,
para proteger as linhas de abastecimento entre o Porto e Amarante.
Como se
vê Valongo nesse tempo não passava de uma pobre povoação rural, por isso
é que no livro A Villa de Vallongo diz:
A Majestosa
Igreja de Valongo, porque ela é mesmo imponente comparada com tudo o que se vê
à volta, esta antiga fotografia abarca toda a cidade de Valongo, e o Lugar do
Susão.
Nesta fotografia
actual do ano 2020, com o mesmo enquadramento da anterior, vemos que passados
que estão 211 anos a Igreja de Valongo já não nos parece tão imponente, até temos
alguma dificuldade em a localizar dado o número de edifícios à sua volta.
......Na página
150 do livro A Villa de Vallongo, continua a dizer sobre a Segunda Invasão Francesa, e sobre a
Divisão Francesa que foi enviada para Valongo:
......Durante
a permanência das tropas Francesas em Vallongo, aconteceram factos que a
titulo de curiosidade não podemos deixar de relatar, e nas páginas 150, 151 e 152 o Prº
Joaquim faz alguns relatos sobre as patifarias que as tropas Francesas faziam à
população de Valongo, que não são nada abonatórios.
......Segundo
o Prº Joaquim, terão morrido em Vallongo muitos Franceses, como podemos deduzir
por este pequeno excerto que está na página 152, onde ele diz o seguinte sobre
um proprietário de uma habitação em Valongo que tinha sido ocupada por soldados
Franceses:
......A
sua paciência esgotou-se, e n'um repente com um murro fez voar pelos ares a luz
que os alumiava, e, acto continuo, enquanto a tropa Francesa estupefacta estava
a ver o que seria aquelle estrondo, deita a mão a um machado que tinha perto e
começou a descarregar pancadaria.
......Enquanto
houve em casa sinais de vida Francesa descarregou sempre, mas a sua habitação
ficou em paz, dizia ele, na madrugada do dia seguinte com o mesmo cinismo e
tranquilidade enterrou-os a todos no quintal e já foi honra de mais, porque
n'esta terra muitos encheram deles os seus poços.
Fotografia
do Arquivo Histórico de Valongo, onde vemos a Estrada Velha
que seguia para o Porto através do Monte Alto.
Como
vemos nesta fotografia, Valongo não passava de uma pobre povoação
rural na altura em que o Marechal Soult mandou para aqui uma divisão comandada
por um tal Mermet, para proteger as linhas de abastecimento entre o Porto e
Amarante.
Ano de
2020, nesta fotografia mais ou menos com a mesma vista da anterior, vemos
que se fosse hoje passados
que estão 211 anos, as tropas Francesas teriam que ir acampar para outro lado.
......Na página
152 do livro A Villa de Vallongo, continua a dizer sobre a Segunda Invasão Francesa, e sobre a
Divisão Francesa que foi enviada para Valongo:
......Dias
de paz não tiveram os invasores Franceses durante o tempo que estiveram n'esta
terra, mas também foram imensas as desgraças por eles causadas em mortes
violências e rapinas, não somente levaram tudo quanto encontraram de riqueza
nas casas particulares.
......Mas
na Egreja Parochial roubaram uma grande quantidade de objectos de Prata e Ouro,
quatro lanternas de Prata e seis varas de Pállio do mesmo metal, de que é feita
mensão num documento de 1739 que diz ser o inventário dos haveres da Confraria
do Santíssimo Sacramento, desapareceram por essa ocasião, e muitas casas
sofreram desmandas, ruína, e prejuízos incalculáveis.
......Na página 153
do livro A Villa de Vallongo, continua a dizer sobre a
Segunda Invasão Francesa, e termina esta parte da ocupação de Valongo pelas
tropas Francesas:
......Mas
em paga da ruína e dos prejuízos causados a Vallongo pelas tropa Francesas,
larga vingança tomaram d'eles os Valonguenses e se tão cedo d'aqui não saíssem
mais derrotas ainda sofreriam, quando mais tarde vencidos e escorraçados esses
miseráveis fugiam para a sua pátria, tiveram também no numero dos vencedores
uma coluna bastante forte de milicianos de Vallongo, que muito se distinguiram
nas imensas batalhas que o exército Aliado venceu.
......E
esta Segunda Invasão Francesa comandada por Junot, termina após uma batalha
travada no Porto nesse mesmo ano de 1809, em que as tropas Francesas sofrem uma
pesada derrota e batem em retirada para Espanha com muitas baixas e muitos
feridos.
......No
ano de 1810 acontece a terceira Invasão Francesa.
......Napoleão
Bonaparte não se dando por vencido, manda novamente as suas tropas invadir o
Reino de Portugal.
A
terceira Invasão Francesa começou em 1810, e prolongou-se até meados de 1811,
foi comandada pelo marechal Massena, a quem Napoleão Bonaparte
chamava o filho querido da vitória.
......Mas
esta Terceira Invasão também estava condenada ao fracasso, também desta vez o
exército de Napoleão acabou por sair derrotado, para essa derrota muito
contribuiu o General Wellington que comandou as tropas Anglo-Lusas, devido às
estratégias que terá utilizadas no campo de batalha.
......E
assim depois das tropas Francesas comandadas pelo General Massena terem sido
derrotadas, e terem regressado definitivamente a França, depois de três
tentativas de invasão fracassadas Napoleão Bonaparte desiste, e abandona em
definitivo a ideia de conquistar Portugal.
......Terminadas as Invasões Francesas a
Família Real, as Cortes e toda a governação continuam a governar Portugal a
partir do Brasil. ......No
ano de 1816 morre no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro a Rainha
Dona Maria I, mãe do Príncipe Regente Dom João VI.
Ano
de 1816, Dona Maria I, que foi a
primeira rainha de Portugal faleceu
no Brasil, e foi sepultada no Convento da Ajuda na Cidade do Rio de Janeiro.
......Anos
mais tarde, em 1821 já após o regresso da Família Real a Portugal, os restos
mortais de Dona Maria I foram transladados para Portugal e foram
depositados na Basílica da Estrela em Lisboa.
Curiosamente a
construção da Basílica da Estrela em Lisboa, começou no ano de 1779 por ordem
da Rainha Dona Maria I, em cumprimento de uma promessa, mal sabia ela que os
seus restos mortais iriam aqui ser depositados.
......O
Mausoléu onde estão depositados os restos mortais da Rainha Dona Maria I,
na Basílica da Estela.
......No
ano de 1818, após a morte de sua Mãe a Rainha Dona Maria I, Dom João
VI é aclamado como Rei na cidade do Rio de Janeiro no Brasil.
Ano de
1818, a cerimónia
de aclamação de Dom João VI como Rei, do Reino Unido de Portugal do
Brasil e dos Algarves, e tomou o cognome de o Clemente.
......Ano
de 1820, o Rei Dom João VI, as cortes e toda a governação continuam a
governar Portugal a partir do Brasil.
Ano
de 1820, Dom João VI continua no Brasil, e
Portugal continuava a ser governado a partir do Brasil.
......Em
Portugal começam a aparecer revoltas um pouco por todo o lado, devido à forma
como vínhamos a ser governados por estrangeiros desde o fim das Invasões
Francesas, começa então a Revolta Constitucional de 1820, onde é exigido o
regresso do Rei Dom João VI a Portugal.
......Agora
à minha maneira e também de uma forma muito simplista, vou fazer um pequeno
resumo de como começou a Revolução Liberal, durante a qual
aconteceu A Batalha de Ponte Ferreira que é o cerne
desta minha publicação.
......No
ano de 1820, rebenta no Porto a Revolução Liberal.
......A Revolução
Liberal teve
o seu inicio no ano de 1820 na Cidade do Porto, um dos objectivos dos
revolucionários era recuperar a governação do País, que desde o fim das
Invasões Francesas era governado por Ingleses, e iam acontecendo muitas
injustiças.
......Outro
objectivo era lutar contra um Regime Absolutista que nessa
altura ia reinando em Portugal.
......Toda
a população Portuguesa, e muito em especial o povo do Porto que sempre foi
muito revoltado contra as injustiças andava muito descontente, porque
desde as Invasões Francesas que originaram a fuga para o Brasil do Rei
João VI, com as Cortes e toda a governação, para que não viessem a ser feitos
prisioneiros pelas tropas Francesas, Portugal estava a ser governado por
estrangeiros.
......Mas o
objectivo principal desta Revolução que começou no Porto e que depois se alastrou
um pouco a todo o País, era fazer que o Rei Dom João VI e a governação regressassem do
Brasil, e
voltassem a tomar as rédeas do poder em Portugal que tão mal andava.
......O
Rei Dom João VI e as Cortes acabaram por regressar a Portugal um ano mais
tarde, em 1821, mas o seu filho mais velho o Infante Dom Pedro, que era quem estava na
linha directa de sucessão ao trono de Portugal ficou no Brasil, e acabou
mesmo por declarar a Independência do Brasil no ano de 1822, vindo mais tarde a
ser aclamado como Dom Pedro I, o primeiro Imperador do Brasil.
......Na página 153
do livro A Villa de Vallongo, é descrito em grande pormenor esse tempo conturbado,
que medeia entre o fim das Invasões Francesas, e o inicio da Revolta Popular:
......Depois
da expulsão dos Franceses as simpatiias constitucionais haviam crescido, assás
principalmente devido à grande influência da Inglaterra no nosso país. ......O
Porto, cidade das grandes empresas, e das sempre nobres aspirações,
entusiasmada pela aurora de uma falsa liberdade que lhe parecia surgir n'um mar
de rosas por entre as negruras terroríficas e medonhas das antigas
instituições, abalançava-se à realização gigantesca de um ideal sublime que há
anos havia sonhado.
......E,
no auge do seu entusiasmo, a população do Porto revoltou-se contra a Regência
do Reino, que tinha sido nomeada por Dom João VI quando fugiu dos Franceses
para o Brasil, atraindo ao seu movimento todo o Norte e Sul do País e
terminando por lançar as bases de uma nova Constituição que acabaria por ser
jurada por Dom João VI em Setembro de 1822.
......No
ano de 1821, finalmente o Rei Dom João VI regressa a Portugal.
No
ano de 1821, finalmente o Rei Dom João VI regressa a Portugal, após os soldados de vários quartéis se
terem amotinado exigindo o seu regresso. ......O
desembarque do Rei das Cortes e de toda a governação do Reino, foi a 4 do mês de
Julho de 1821 no Terreiro do Paço em Lisboa, mas ficou no Brasil como
Regente o seu filho primogénito do Rei Dom João VI, o Infante Dom Pedro.
......E
no ano de 1822, o Infante Dom Pedro que tinha ficado no Brasil como Regente,
declara a Independência do Brasil.
No
dia 7 de Setembro de 1822, junto ao Rio Ipiranga, Dom Pedro desembainhou a
espada e disse: ......Pelo
meu Sangue, minha Honra, meu Deus, eu juro dar ao Brasil a Liberdade, e
terá gritado Independência ou Morte, este episódio ficou conhecido
como O Grito do Ipiranga.
......No
ano de 1824, Dom Pedro é aclamado como Imperador do Brasil.
No
dia 12 de Outubro de 1824, no dia em que fazia 24 anos, Dom Pedro foi
aclamado como Imperador do Brasil.
A coroação de Dom Pedro I, como
Imperador da Brasil só veio a acontecer a 1 Dezembro do ano de
1824, foi o primeiro Imperador do Brasil, e manteve-se como tal até à sua
abdicação no ano de 1831, vindo depois durante um pequeno período de tempo, entre
Março e Maio de 1826 a ser Rei de Portugal e dos Algarves, como Dom Pedro
IV.
......No ano de
1823 começam a
acontecer em Portugal as primeiras revoltas do movimento Absolutista, que
antecederam os 6 anos que durou a Guerra Civil.
......Na página 154 do livro A Villa de Vallongo, diz
o seguinte sobre esta Guerra Civil, a que ele chama Guerra Fratricida:
......Começou
então em Portugal aquela desastrosa Guerra Civil que tanto mal causou a
Vallongo, que estando muito perto do Porto centro de todo o movimento
revolucionário, por muitas vezes serviu de campo para as suas operações
militares, chegando mesmo a partilhar das suas alegrias e tristezas.
......Tempos
de luto e morte, os nossos avós que julgavam viver debaixo de um jugo de ferro
a quererem soltar o grito dos povos livres, e alcançarem uma victória cujos
louros não gozaram, matam-se uns aos outros n’uma Guerra Fraticida!...
......Pobres Loucos! A liberdade por que
elles tão ansiosamente suspiraram era um mito, e aqueles que aos ingénuos
falavam d'ela uns enganadores! Hoje quem ade dizer que as belezas e os bens que
o novo sistema nos trouxe era aquilo por que morriam os Martires da
Liberdade.
A 27
de Maio de 1823 acontece uma insurreição em Vila Franca de Xira, que ficou
conhecida como Vilafrancada.
......Devido
a alguns acontecimentos, o ano de 1823 trouxe ao Movimento Absolutista a
ocasião porque muitos estavam à espera, e liderados pelo Infante Dom Miguel
começaram a fazer frente às investidas dos revoltosos Liberais do Norte, foram
mesmo dados vivas ao regresso a uma Monarquia Absoluta, e que a nova
constituição que tinha sido jurada pelo Rei Dom João VI, fosse posta de
lado.
......Em 1824, o Rei Dom
João VI apesar de já doente consagra o último ano do seu reinado a tentar
resolver o problema suscitado após a independência do Brasil, e antes de morrer
ainda chega a nomear Dom Pedro como seu sucessor, na tentativa de voltar a unir
os dois Reinos......
......No
mês de Março de 1826 morre o Rei Dom João VI.
No dia 10
de Março de 1826 morre o Rei Dom João VI.
......Na página 159
do livro A Villa de Vallongo, é descrito assim este tempo conturbado, que
medeia entre a morte de Dom João VI, e o regresso de Dom Pedro a Portugal:
......Entretanto
a inconstância de Dom João VI que então governava, ia fazendo variar de ano
para ano a forma do governo chegando a mandar sair de Portugal o Infante Dom
Miguel que por vezes se tinha posto à frente do movimento anti-liberal, a morte
do Rei Dom João VI a 10 de Março de 1826 veio colocar o Reino em estado de
maior revolução.
......Quando
Dom Miguel, havendo em Viena de Áustria jurado a Carta Constitucional foi
nomeado Regente do Reino e voltou para Portugal, os Realistas julgaram-se
vencedores, porque viam deixar o exílio o seu muito Amado Rei, e por
isso cantavam:
......Dom Miguel chegou a Bordo,
......Sua mãe lhe deu a mão,
......Vem ó filho da minha alma,
......Não queiras a Constituição,
......Rei chegou, Rei chegou, ......Em Belém desembarcou.
......Dissemos
que Dom Miguel era para este povo o muito amado Rei, porque até lhe
cantavam:
......Quando os passarinhos choram,
......Que não têem entendimento,
......Que fará quem não tem visto, ......Dom Miguel à tanto tempo.
......A
mãe de Dom Miguel, a Rainha Dona Carlota Joaquina era inimiga de morte da
Constituição.
.......Chegando
a Portugal, Dom Miguel foi eleito Rei, e para abafar uma revolta do partido
Liberal no Porto, mandou fazer a execução no meio da Praça Nova
de seis chefes em quem a politica ou a intriga fez cair a responsabilidade
d'aquele crime de leza-Magestade.
......Não
sabemos de que lado estava a razão, nem pertence a nós averigua-lo, mas aquele
acto manchou o Reinado de um Rei de tão bom coração, que tão pouco tempo
governou e encheu de luto o Porto, e Portugal todo, em Vallongo segundo
dizem alguns velhos, com tamanha tristeza pela execução o Sol até não terá
nascido n'aquele dia.
......A
maioria da população era Realista, mas os restantes tremendo de medo,
vestiam-se de luto ao lembrarem-se de que a eles poderia acontecer o mesmo,
porque tinham um inimigo que lhes queria mal e aproveitava a ocasião de se
vingar cruelmente.
......Quantos
crimes e horrores que a história não conta, mas que a memória dos nossos
antigos ainda recordam com tristeza! Conta-se que n'esse dia um bom padre,
conhecido pelo nome de Vicente, pediu ao fim da missa na nossa Igreja
Parochial, um Padre Nosso pelas almas d'aqueles padecentes que morreram no
Porto.
......Logo
os mais facciosos tomando-o por conivente no crime perseguiram-n'o de tal
maneira, que logo que acabou a missa o Padre Vicente nunca mais tornou a ser
visto, dizem uns que o mataram, e outros que vendo elle o perigo em que andava
metido, se terá retirado para o Porto, onde terá vivido escondido com a sua
família......
......Na página 164
do livro A Villa de Vallongo, é descrito assim o desembarque das tropas no
Mindelo:
......O Mistério
desta Guerra Fratricida.
......E
era assim, o governo Miguelista tinha-se tornado desconfiado e cruel, e à sua
sombra os seus sequazes julgavam-se com o direito de praticar toda a sorte de
crueldades e vinganças, por isso a vinda de Dom Pedro era para os Liberais
suspirada como a de um Libertador, como eles lhe chamavam, pois que durante
estes tempos de terror viviam atrofiados como debaixo de um jugo de ferro. ......Pelas
duas e meia horas da tarde começaram as tropas a desembarcar, e, uma vez em
terra, procuraram logo fortificar-se para estarem ao abrigo de qualquer ataque
inimigo, entrando no dia seguinte, 9 de Julho no Porto.
......Aqui
é que começa o mistério desta Guerra Fratricida de cem contra dez, e estes cem deixaram-se prender
e matar pelos dez sem ao menos se defenderem! Pois como cabe na cabeça de
alguém que tenha juízo, que a não ser por razões misteriosas.
......Ninguém
entende que o Conde de Santa Marta que comandava o exército do Porto para
defender a cidade dos liberais, com um exército muito grande, quando soube que
o inimigo se aproximava com um punhado de homens, tivesse fugido para o sul
abandonando a cidade, e o brigadeiro José Cardoso, estando com um forte
exército a guardar a Praia do Mindelo, ao ver as tropas a desembarcar não
mandasse dar um tiro e se retirasse cobardemente. ......Um
historiador que lemos a este respeito, diz que as tropas Realistas depois
d'este facto terão perdido toda a sua força moral e fisica, e com certeza
parece-nos que não era preciso mais nada para ficarem a conhecer que ali havia
mais que traição.
O
Obelisco erigido na Praia da Memória.
......Na página 165 do
livro A Villa de Vallongo, continua a narrativa desta misteriosa
guerra fraticida, entre os irmãos Dom Miguel e Dom Pedro:
......É
também um facto incontestável que, durante o cerco do Porto, os generais
Miguelistas tinham de noite livre entrada na Cidade aonde iam jogar o solo,
beber café e assistir a bailes e teatros, confraternizando com os seus inimigos. ......A
um dos soldados de Dom Pedro encurralado dentro do Porto, ouvimos dizer que
quando na cidade não havia mantimentos nem munições, vinham fora da cidade dar
uma corrida aos Miguelistas.
....Porque
já sabiam que estes levando consigo grande quantidade de pólvora e trigo
avançavam até um lugar aprazado, chegados ao qual, as cornetas tocavam a
retirar em debandada, deixando em poder do inimigo tudo quanto tinham levado, o
povo estava tão convencido desta combinação entre os irmãos que até cantava nas
horas vagas: ......Entre Pedro e Miguel ......Ninguém meta o seu nariz ......Dom Pedro subiu ao trono ......Dom Miguel assim o
quis
O
exército Liberal de Dom Pedro, entrou na Cidade do Porto no dia imediatamente a seguir ao desembarque na Praia do Mindelo, a 9 de Julho de 1832. ......Quando as
tropas Liberais entraram no Porto ficaram admirados, o exército Realista tinha
abandonado a cidade, porque os seus Generais terão pensado, que os Liberais
tinham desembarcado no Mindelo com um enorme exército, e por isso terão
resolvido retirar da cidade para não serem aí derrotados.
......Na página 165 do
livro A Villa de Vallongo, é descrita assim a chegada de Dom Pedro à
Cidade do Porto:
......Logo
que na cidade do Porto houve conhecimento da aproximação da armada de Dom
Pedro, partiu na madrugada do dia 8 que era Domingo, uma força a toda a brida
para Vallongo a chamar a musica do exército do Porto que então aqui se encontrava
para tocar na festa de Santo António, dando a notícia de que Dom Pedro ia
desembarcar as suas tropas, e que o exército Realista iria retirar do Porto
para as deixar entrar.
......Esta
noticia foi conhecida em Vallongo talvez mais cedo do que em qualquer outra
parte, era Juiz n'esse ano em Vallongo, Joaquim da Fonseca Dias, grande
constitucional apaixonadíssimo pelas ideias Liberais, sogro do já falecido Dr.
Lino Valle, que era desembargador da Relação do Porto, e dizem os velhos que já
n'esse dia no Cortejo as senhoras da sua família, bem como outras
correlegionárias, levavam
a prender o cabelo fachadas de azul e branco. ......E por causa d'estas baralhadas, embora
se fizessem as solenidades na Igreja, à noite já não houve o fogo de artificio
que era costume queimar-se, e em Vallongo só voltou a haver festa em
1836.
O Padre
Joaquim diz que no Domingo, dia 8 de Julho as senhoras que participaram no
cortejo em honra a Santo António que se realizou em Valongo, levavam
a prender o cabelo fachadas de azul e branco, porque o azul e
o branco eram as cores de fundo da Bandeira dos Liberais de Dom Pedro.
......Na página 167
do livro A Villa de Vallongo, é descrita assim a chegada de Dom Pedro
à Cidade do Porto, e as manobras militares que antecederam A Batalha da
Ponte Ferreira:
......Na
semana seguinte, quando houve a certeza de que no Porto entrara Dom Pedro, ahí
acudiram todos os seus apaixonados n'esta terra que começaram logo a cantar
vitória e, julgando-se vencedores, a exercer violências.
......Quando
no dia 17 pela 1 hora da manhã Dom Pedro mandou para Vallongo o Coronel Hodges
com parte do Batalhão Inglês ao seu comando, o primeiro batalhão do regimento
de infantaria nº 18 e um destacamento de 40 guias a cavalo para expulsar e
correr os Miguelistas.
......Entretanto
o Coronel Hodges foi informado em Vallongo, que os Realistas
tinham passado o Douro e tinham ocupado Penafiel, dirigiu-se
a Recarei para verificar essa notícia.
......Retrocedendo
novamente sobre Vallongo com vista de ser reforçado, como foi com duas peças de
artilharia calibre 3, guarnecidas por uns 25 académicos de
Coimbra, e mais 400 homens do batalhão de voluntários da Rainha.
Soldados na
Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia, com peças de Artilharia.
......Na página 185
do livro A Villa de Vallongo, é contada a chegada de Dom Miguel ao Porto, no
dia 5 de Novembro de 1832, ficando as tropas que o acompanhavam acampadas
no Monte Alto em Vallongo, esse texto tem o titulo: