Memórias
do tempo em que trabalhava na Divisão de Elevadores da Efacec.
Ano de 1993, um passeio de comboio pela Linha do Douro desde a estação de São Bento, no Porto, até à Estação do Pocinho, e depois de camioneta até Figueira de Castelo Rodrigo, onde fomos ver as Amendoeiras em Flor.
O meu
cartão de sócio da ADEFACEC.
Quando
foi criado no facebook o Grupo Amigos da Efacec e comecei
a ouvir o nome da ADEFACEC, veio-me
logo à memória este passeio que fiz com a minha família, e com a grande
maioria das pessoas que na altura trabalhavam na Divisão de Elevadores da
Efacec.
Como gostei muito desta viagem, porque viajar com um conjunto de amigos é sempre mais agradável do que viajar só com a família, vou contar como foi esse passeio, apesar de ele ter sido em 1993, à 28 anos mas ainda me lembro bem dele.
Não tenho
bem a certeza, mas penso que na altura todos os funcionários da Efacec eram
sócios desta Associação Desportiva da Efacec, mas embora
pagasse as cotas eu só utilizava a Associação para ir às festas de Natal, que
eram realizadas no Coliseu do Porto.
Este
passeio até Figueira de Castelo Rodrigo para ver as Amendoeiras em
Flor, começou com a partida de Comboio da Estação de São Bento no
Porto.
No dia do
passeio chegamos à Estação de São Bento muito cedo, ainda era de noite.
Com iluminação nocturna a estação ainda se torna mais bonita, considero a sala de entrada, a gare de embarque, as coberturas das linhas, e até as 3 bocas dos túneis, as mais bonitas dom mundo.
Como a estação de São Bento me trás muitas recordações da minha juventude, antes de passar ao passeio, vou falar um bocado sobre ela, e também vou pôr algumas fotografias do hall de entrada, da gare de embarque e da boca dos 3 túneis por onde circulam os comboios na direcção do Minho e do Douro Litoral.
Ainda me lembro da primeira vez que andei de comboio, devia ter os meus 4 ou 5 anos, o meu Pai teve que ir tratar de um assunto qualquer à Rua das Doze Casas no Porto e levou-me com ele, foi a primeira vez que vi a Estação de São Bento.
Apanhamos o Comboio na minha terra, em Valongo, apesar de ser muito novo ainda me lembro de quando íamos a passar nos túneis antes de São Bento, termos que fechar as janelas por causa do fumo, os comboios da Linha do Douro nessa altura ainda eram a vapor.
Mais
tarde já com 10 anos, em 1965, comecei a viajar diariamente de comboio de
Valongo para o Porto, fiz o Ciclo Preparatório na Escola Ramalho Ortigão, e
depois o Curso Industrial na Escola Industrial Infante Dom Henrique, em 1965 os
comboios ainda eram com Máquinas a Vapor.
Em 1965 os comboios que circulavam na Linha do Douro ainda eram com Máquina a Vapor.
Só por volta de 1966/67 é que começaram a aparecer as primeiras automotoras a diesel.
Estas Automotoras já eram muito confortáveis, e até já tinham aquecimento, aí já comecei a gostar mais da viagem de Valongo para o Porto de comboio.
Vou agora
pôr algumas fotografias do hall de entrada da Estação de São Bento.
No hall de
entrada da Estação de São Bento, a qualquer hora encontramos pessoas
a admirar as suas paredes, que são revestidas com enormes painéis de azulejos
representando motivos históricos, e os seus tectos lindíssimos.
No tecto da estação tem escrito o nome das províncias Douro e Minho, porque desta estação só saem comboios com destino a essas duas províncias.
O teto do hall de entrada da Estação de São Bento.
Por cima da porta que dá acesso à gare de embarque da estação tem este bonito relógio.
Por isso dá para imaginar que antes de existir a Estação de São Bento, era bastante complicado para alguém que viesse por exemplo da Régua, carregado de bagagens ter que sair em Campanhã, e depois ter que arranjar transporte para o centro do Porto.
Como
não tinha nenhuma fotografia do ano de 1993 da gare de embarque da estação,
tive que passar por lá para tirar algumas.
Eu já na gare
da estação, à espera do comboio.
A minha
companheira também à espera do comboio.
Na gare da
estação, à espera do comboio.
Eu já na
gare da estação à espera do comboio, e como podemos ver o relógio que está por
cima da porta principal funciona nas duas faces.
A gare de
embarque, o tecto da estação e as bocas dos 3 túneis, por onde saem os
Comboios na direcção da Estação de Campanhã.
A Gare de embarque.
Ainda na gare
da estação à espera do comboio.
Por cima
do túnel principal da estação tem escrito o nome do Rei D.
Carlos, porque foi durante o seu reinado que a estação foi projectada,
executada, e depois foi inaugurada provisoriamente, no ano 1896.
Para construir
a Estação de São bento foi necessário demolir a antigo Convento da Avé Maria.
Era este o antigo
Convento da Avé Maria, que foi demolido para ser construída a Estação de São
Bento.
O antigo
Convento da Avé Maria que foi demolido para ser construída a Estação de São
Bento, vemos o Palácio das Cardosas na Praça da Liberdade.
A inauguração
provisória da Estação de São Bento aconteceu no ano 1896.
Mais
tarde a intervenção de D. Carlos também foi muito importante, para desbloquear
um problema que existia para que se pudesse dar andamento à construção
definitiva da estação.
Depois em
1900, foi Dom Carlos em conjunto com Dona Amélia quem colocou a
primeira pedra para a construção da estação definitiva, conforme hoje a
conhecemos.
A boca dos 3
túneis por onde saem os Comboios na direcção da Estação de Campanhã.
E agora que já
apresentei a Estação de São Bento que para mim é uma das estações mais bonitas
do Mundo, vou passar para o passeio que fizemos em 1993, até Figueira de
Castelo Rodrigo.
O
passeio constou do seguinte:
Partimos
de comboio desde o Porto, seguindo pela linha do Douro até à Estação do
Pocinho, durante a viagem foi entregue a cada família uma cesta com um farnel
para o almoço e lanche.
Chegados
à Estação do Pocinho já estavam à nossa espera mais de uma dezena de
camionetas, (eu como veremos fui na numero 10), que nos levaram directos até
Figueira de Castelo Rodrigo, onde em primeiro lugar fizemos uma visita ao
Castelo Rodrigo, que conforme também veremos mais à frente em 1993 estava
completamente em ruínas.
Posso
mesmo dizer que em 1993 o Castelo estava prestes a ruir, aquilo era um
amontoado de pedras, e ainda por cima como veremos nas fotos os
visitantes podiam andar por cima das paredes, desfazendo-as ainda mais, mas
felizmente entretanto o Castelo já foi recuperado, dentro do possível, pelo
menos dá para reconhecer como deviam ser os seus contornos.
Depois da
visita ao Castelo tivemos um passeio livre pela cidade, ainda me lembro que na
altura os Bombeiros tinham salvo e recuperado uma cegonha que tinha partido uma
asa, e ela andava a passear pelo meio da cidade sem qualquer receio das
pessoas.
Vamos
então começar a viagem e vou dizendo quem são as pessoas que reconheço nas
fotos.
Ano de
1993, ocupamos os nossos lugares no comboio e partimos com destino à Estação do
Pocinho.
Nesta
carruagem em que vou, vemos logo em primeiro plano no lado esquerdo o Matos que
já trabalhou no sector de Elevadores em Sá da Bandeira, depois na segunda fila
está a minha esposa e os meus sogros.
Mais
atrás no lado esquerdo está o Sr. Martins da contabilidade e o Caldeira da
Silva, no lado direito à janela com a sua máquina de filmar está o Luís
Ferreira, que entretanto já me mandou um dos vídeos que fez nessa viagem, de
costas no meio do corredor está o Sr. Ramos a conversar com o Caldeira.
Este Sr.
Ramos era o que trabalhava no mesmo gabinete com a dona Alcina, que também foi
neste passeio, só por curiosidade posso dizer, que tanto o Sr. Ramos como a
dona Alcina que eu saiba são os dois únicos funcionários da Divisão de
Elevadores, cujos filhos vieram a singrar também no ramo dos Elevadores, se
calhar foi por partilharem o mesmo gabinete.
O filho
da Dona Alcina o Manuel Guimarães, começou a trabalhar
na Divisão de Elevadores da Efacec, mais tarde foi trabalhar para
o Pinto & Cruz também para o Sector de Elevadores.
O filho do Sr. Ramos, o Mário Ramos, também começou a
trabalhar na Divisão de Elevadores da Efacec, depois também foi
trabalhar para o Pinto & Cruz para o Sector de Elevadores.
Depois
foi trabalhar para a PT, entretanto formou-se em gestão, e foi como
director dirigir a Empresa de Elevadores NorSchindler, que era detida
em sociedade pela Schindler, e pelo Pinto & Cruz.
Anos mais
tarde quando a Schindler comprou a Efacec Elevadores, a NorSchindler foi integrada
nessa nova Empresa, nessa altura o Mário Ramos passou a chefiar o Gabinete de
Operações Especiais da Schindler, que tratava de todos os grande projectos e
dos clientes importantes, actualmente o Mário Ramos é o director da delegação
da Schindler no Norte.
Falo
deste Mário Ramos porque ele foi o meu director, até ao meu último
dia de trabalho.
Também a título de curiosidade posso dizer que foi neste gabinete que
era ocupado pela Dona Alcina e pelo Sr. Ramos, que foi instalada a primeira
máquina de café expresso que existiu na Divisão de Elevadores.
Ainda me
lembro bem dessa máquina, foi oferecida pelo Sr. Jorge Neves que era o chefe de
Divisão, a meio da manhã que bem sabia ir tomar o nosso Cimbalino, que era
tirado por cada um de nós o que ainda sabia melhor.
Ano de
1993, e agora depois deste pequeno aparte vamos partir com destino à Estação do
Pocinho.
Ano de 1993, o meu
filho, e o filho do Teixeira Dias andavam pelo comboio a jogar às escondidas
para passar o tempo, que a viagem do Porto até Pocinho ainda demora muitas
horas.
Ano de 1993, o meu
filho e o filho do Teixeira Dias.
Passamos pela
Estação do Peso da Régua.
Ano de 1993, pela
linha do Douro, a caminho da Estação do Pocinho.
Ano de 1993, e lá
vamos nós a caminho do Pocinho.
A caminho do Pocinho.
Durante a
viagem, antes de chegarmos ao Pocinho foi entregue a cada família uma cesta com
um farnel para o almoço e lanche.
Chegamos à
Estação do Pocinho às 13h13.
Automotoras
paradas na Estação do Pocinho, como vemos em 1993 a estação do Pocinho era
muito movimentada.
Conforme
podemos ver nestas imagens que foram retiradas do vídeo que o Luís Ferreira fez
na altura, chegamos ao Pocinho às 13h13, o rio que vemos nas imagens é o Douro.
A Estação do
Pocinho.
Os armazéns da Estação do Pocinho.
Ano de
1993, saímos do comboio na Estação do Pocinho, e entramos nas camionetas que já
estavam à nossa espera, como podemos ver às 13h18 já íamos a caminho de
Figueira de Castelo Rodrigo.
Eram mais
de 10 as camionetas que nos levaram do Pocinho até Figueira de Castelo Rodrigo,
porque como também podemos ver fui na camioneta numero 10.
Campos de
amendoeiras em flor, no caminho para Figueira de Castelo Rodrigo.
Finalmente depois
de uma extenuante viagem de mais de 8 horas, chegamos a Figueira de Castelo
Rodrigo.
Ano de 1993,
chegados a Figueira de Castelo Rodrigo, fomos logo visitar o castelo.
Olhando
para estas fotografias actuais, nem reconheço o castelo que visitamos em 1993,
ele foi restaurado dentro do possível, pelo menos dá para imaginar como devia
ter sido em tempos.
Mas como
veremos nas fotografias que tirei na altura do nosso passeio em 1993, ele
estava completamente em ruínas, não passava de um amontoado de pedras, e nós
ainda por cima sem pensar no mal que estávamos a fazer andávamos por cima das
paredes, fazendo-as ruir ainda mais.
O Castelo
Rodrigo na actualidade com a iluminação nocturna ligada.
Mas este
antigo Castelo Rodrigo já teve em tempos passados os seus dias de glória.
Segundo
rezam as lendas a sua construção primitiva terá sido por volta do ano 500 AC,
mas só na época da Reconquista Cristã da Península Ibérica, feita pelo Rei
Afonso IX de Leão, 1188-1230, é que este soberano fez reerguer o Castelo
primitivo que em conjunto com vários outros Castelos à sua volta faziam parte
da linha defensiva do Riba-Côa.
E agora
vou pôr as fotografias que tirei no Castelo Rodrigo, no ano de 1993.
Ano de 1993, eu
com a minha esposa no castelo, como vemos está tudo em ruínas, até metia medo
porque parecia que as paredes iam ruir a qualquer momento.
Ano de 1993, como
vemos as paredes do Castelo estão todas a ruir.
Ano de 1993, e
para ilustrar o que digo lá está o meu filho em cima das paredes do Castelo,
não tínhamos a mínima noção do mal que estávamos a fazer.
Ano de 1993, e lá
estão novamente a minha esposa e o meu filho em cima das paredes do castelo,
muitos anos resistiram aquelas paredes com tanta gente a passar-lhes por cima.
Ano de 1993, o
meu filho num local alto, de onde vê Figueira de Castelo Rodrigo.
Ano de
1993, o meu filho, a minha esposa, e a minha sogra, todos muito bem
agasalhados, desta nossa visita o que mais me vem à memória é do frio, lá
em cima no Castelo Rodrigo estava um vento tão gelado que nos penetrava até aos
ossos.
Nesta
fotografia acima lá muito ao fundo, já conseguimos ver os campos das
amendoeiras.
Ano de
1993, outra fotografia tirada lá de cima do castelo, vemos lá em baixo Figueira
de Castelo Rodrigo.
E agora
vou pôr algumas fotografias de como está actualmente o Castelo Rodrigo,
já não tem nada a ver com o amontoado de pedras que era em 1993.
O Castelo
Rodrigo na actualidade.
O Castelo Rodrigo na actualidade.
O Castelo Rodrigo na actualidade.
Mas onde é que
estão as fotos das Amendoeiras em Flor, afinal era um dos objectivos
deste nosso passeio, pois é verdade até eu fiquei admirado, mas por muito que
procurasse, não encontrei uma única fotografia das ditas Amendoeiras em Flor.
Para colmatar
essa falha, ponho estas fotografias que são todas de campos de Amendoeiras
em Flor na região de Figueira de Castelo Rodrigo.
Na viagem
de regresso saímos de Figueira de Castelo Rodrigo e como ficava em caminho,
fomos visitar a Estação de Barca D'Alva, só depois é que fomos para a Estação
do Pocinho onde apanhamos o Comboio que nos trouxe de regresso até ao Porto.
Como
também não tirei nenhuma fotografia da Estação de Barca D'Alva, vou utilizar
fotografias de terceiros.
Ano de 1993, no
regresso de Figueira de Castelo Rodrigo, como ficava em caminho ainda fomos
visitar a Estação de Barca D'Alva.
A Estação de Barca D'Alva.
A Estação de Barca D'Alva foi encerrada no ano de 1988, desde aí como se vê a estação ficou abandonada.
Foi no ano de 1985 que o Estado Espanhol decidiu encerrar de forma definitiva, a ligação que tinha desde Espanha até à Estação de Barca D'Alva, mais tarde no ano de 1988 o Estado Português também decidiu encerrar o troço ferroviário entre o Pocinho e Barca D'Alva.
Mas já li
em qualquer lado que essa ligação que vai do Pocinho para Barca D'Alva e para
Espanha vai ser retomada, nem que seja só para turismo, espero sinceramente que
essa notícia seja verdadeira.
Os armazéns, o
depósito da água e mais algumas instalações da Estação de Barca D'Alva.
A Estação de Barca D'Alva.
A viagem
de Comboio desde o Pocinho até ao Porto foi muito animada, no Comboio vinha um
grupo de animação que ia percorrendo as carruagens para não deixar o pessoal
adormecer.
Vou pôr
agora algumas imagens retiradas do vídeo que o Luís Ferreira fez na altura,
onde estão alguns funcionários da Divisão dos Elevadores.
Ano de
1993, nestas imagens que retirei do vídeo do Luís Ferreira para além de mim,
aparecem também o Sr. Amorim, o Manel Francisco com a esposa a Maria Armanda, a
Elisa Marinho, o Sr. Peixoto, o Sr.Costa, o Sr. Luís das Portas, a dona Alcina.
Numa das
imagens acima aparecem o Caldeira da Silva, o Sr. Martins e o Sr. Ramos que
nesse ano acho que pertenciam à direcção da ADEFACEC, imagino a
trabalheira que devem ter tido para preparar um evento desta dimensão.
Contratar
um comboio personalizado para fazer a viagem de ida e volta entre o Porto e o
Pocinho, contratar as camionetas para fazer o resto da viagem de ida e volta
até figueira de Castelo Rodrigo, depois preparar as cestas com o farnel
para almoço e lanche, só lhes posso dar os meus parabéns.
E
"prontus", termino este relato sobre o passeio feito por
funcionários da Efacec até Figueira de Castelo Rodrigo, foi um passeio de
um só dia mas gostei muito, por isso ficou sempre na minha memória.
Fernando
Almeida