Mais um pequeno passo rumo ao Protocolo de Quioto.
Comando Miconic B da Schindler, da bateria de elevadores triplex, com um regulador de velocidade dinatron II, que foi substituído nesta modernização.
Acompanhei o técnico comercial, o Fernando Sousa, na primeira reunião com os responsáveis do edifício, onde foi tratado todo o processo acerca da modernização que seria para fazer nos Elevadores.
Na
reunião foi-nos dito que o edifício iria ser remodelado de cima a baixo, o edifício ia ser adaptado para outros fins, ia ser ocupado por uma entidade pública de
topo, e que por isso também os elevadores teriam
que ser modernizados, e tinham que ficar com um funcionamento
muito fiável.
A modernização nos elevadores constaria do seguinte:
---Não nos foi apresentado nenhum caderno de encargos para esta modernização, estava aberto um concurso para todas as Empresas de Elevadores, e depois teriam que ser essas Empresas, a apresentar um orçamento para tudo o que entendessem que precisasse de ser modernizado.
---Portanto
seriam as Empresas convidadas para este concurso, a decidir que tipo de
modernização seria necessário fazer, essa modernização por exemplo poderia
passar só por uma grande revisão aos elevadores, mas também poderia ser
proposta a substituição Integral dos Elevadores.
Os antigos Comandos Schindler "Miconic B".
---Foi-nos
também dito que depois de receberem as propostas das várias
Empresas, estas iriam ser analisadas pelo seu valor, e pela quantidade de
trabalhos que cada uma das Empresas se propunha fazer na Modernização dos
Elevadores para que estes ficassem em perfeito estado de funcionamento.
---Também nos disseram que não seria por a bateria de elevadores triplex, da torre principal ser da nossa Empresa, a Schindler que teríamos qualquer vantagem relativamente às outras Empresas que apresentassem proposta para esta Modernização, a nossa proposta seria tratada exactamente da mesma forma que a de todas as outras Empresas.
---Também
nos disseram que numa primeira fase os elevadores teriam que ser postos em
funcionamento com os comandos existentes, para ficarem a funcionar como
Monta-Cargas de obras, durante todo o tempo que estivesse a decorrer a
remodelação do Edifício.
Como se pode ver tanto os Elevadores como as Casa de Máquinas, estavam com muito mau aspecto.
No fim da reunião lá fui eu com o Fernando Sousa pelas escadas acima, fomos fazer um levantamento completo do estado dos Elevadores, só a partir daí é que decidiríamos o que seria necessário modernizar.
Começamos por ver primeiro os Elevadores Internos de serviço, que eram dois Monta-Cargas.
Depois subimos mais uns pisos, e fomos para a Casa de Máquinas dos Elevadores principais, a Bateria Triplex, com a Velocidade Nominal de 1,6 m/s.
Embora
os Elevadores desta Bateria Triplex, fossem da nossa Empresa a Schindler eu
nunca tinha entrada neste Edifício, quando entrei na Casa de Máquinas
fiquei de boca aberta por ver o estado a que os Elevadores tinham chegado,
inclusive o Elevador do meio tinha a máquina, mas faltava o motor de tracção,
conforme se pode ver abaixo.
A Casa de Máquinas da Bateria Triplex, como podemos ver até faltava o Motor no Elevador do meio.
Mas confesso que quando entrei nesta Casa de Máquinas da Bateria Triplex, o que mais me impressionou foi ver aquelas enormes condutas por cima dos motores de tracção, não sei se seriam de exaustão ou de ventilação, mas o que elas queriam dizer é que o funcionamento dos elevadores devia originar a libertação de uma enorme quantidade de calor.
A
regulação de velocidade destes elevadores com o "Dinatron II", é
feita por injecção de "DC" no enrolamento da pequena velocidade do
motor, ou como nesta instalação a travagem é feita num segundo motor.
Como podemos ver a tracção destes elevadores era feita por uma Máquina de Engrenagem, Senfim + Roda de Coroa, acoplado a um duplo Motor, em que um dos motores funcionava para Regulação de Velocidade, e o outro para travagem poe injecção de "DC".
Este
tipo de regulação por injecção de "DC", origina um grande aquecimento
dos motores, e um grande desperdício de energia, por isso este tipo
de regulação de velocidade já à muito tempo que foi abandonado.
Mas o Fernando Sousa deixou-me logo tranquilo, apesar de ser um jovem de 56 anos já tem uma larga experiência nesta área das Modernizações.
Digo que o Fernando Sousa me deixou logo tranquilo porque disse logo, Almeida aqui nesta bateria triplex sai tudo, não dá para aproveitar nada nesta Casa de Máquinas.
Vamos substituir:
--As
Máquinas.
--Os
Limitadores de Velocidade.
--Os
Quadros de Comando.
--Com
os novos Comandos já vem toda a Instalação eléctrica, do poço, vem as
botoneiras de Patamar, e também vamos modernizar as cabinas que estão muito
envelhecidas.
---As Portas Automáticas como já são "QKS9" são para manter, fazemos uma boa revisão às portas de cabina, às portas de patamar, e a tudo no poço dos elevadores, e eles ficam como novos.
---Depois fotografamos toda a instalação, tiramos as medidas exactas dos maciços, e das furações de passagem dos cabos de suspensão, fizemos uns croquis para que as novas máquinas apoiassem nos mesmos maciços, sem que estes tivessem de ser demolidos.
---E
aconteceu tudo como o Fernando Sousa previu, foi a nossa empresa
quem ganhou o concurso para esta modernização nos elevadores, já durante a fase
de obras acabei por saber que pelo menos uma das empresas que concorreu a este
concurso, apresentou uma proposta para a substituição integral dos elevadores.
Foram
montados novos quadros de comando triplex, Schindler, MX-GC.
Esses novos quadros de comando MX-GC, foram montados exactamente no mesmo lugar
em que estavam os antigos comandos Miconic B, que foram substituídos.
Os novos quadros de comando Schindler, mx-gc, triplex.
A Modernização desta bateria de elevadores Triplex, constou do seguinte:
---Foi montado um novo comando triplex, Schindler, MX-GC.
---Foram montados novos quadros de alimentação individual para cada um dos Elevadores.
---Foram montadas "box's", para fazer interface com o sistema de Gestão do Edifício (BIB).
---Toda instalação eléctrica foi substituída, já faz parte do comando não ficou uma única linha da instalação antiga.
---Foram montadas novas Máquinas Schindler Semi-Gearless, SGB-142, com suspensão diferencial de 2 para 1.
---A Regulação de Velocidade passou a ser por variação de frequência, com os novos conversores Schindler, VF33BR.
---Foram
também montados novos Limitadores de Velocidade
para 1,6 m/s.
Os novos quadros de alimentação de cada um dos elevadores desta bateria triplex, e as "box's" de Interface com a Gestão do Edifício (BIB).
Com a Modernização feita nesta Bateria de elevadores triplex, devemos ter baixado o consumo de Energia para um valor substancialmente mais baixo, vejamos:
---A passagem da suspensão Cabina / Contrapeso, de tracção directa de 1 / 1, para suspensão diferencial de 2 / 1, implica que os motores de tracção passem a precisar só de metade da potência para andarem com a mesma carga.
---A Regulação de Velocidade dos Elevadores, passou a ser feita por Variação de Frequência (VVVF), o que quer dizer que as acelerações e desacelerações de velocidade são controlados, só é metida nos motores a quantidade de Energia necessária para esse efeito.
---Sempre que é necessário desacelerar o elevador, quer seja quando a cabina vai a subir, com menos de 50% da carga, ou quando vai a descer com mais de 50% da carga, e mesmo em todas as fases de transição de aceleração ou desaceleração, essas travagens são feitas pelo Conversor de Frequência.
---Mas sem recorrer a Energia da Rede, utiliza para o efeito um "Chopper de Travagem" interno, que dissipa a Energia que retira do Motor.
---No
caso das desacelerações serem muito violentas, e a tensão interna do Conversor
subir muito (DC-Link), essa Energia é dissipada numa resistência que é montada
externamente ao conversor.
---Em algumas instalações de elevadores com cursos muito grandes, edifícios com muitos andares, essa Energia de Travagem em vez de ser dissipada nestas Resistências de Travagem externas, é tratada e pode voltar a ser metida na Rede.
A Casa de Máquinas da Bateria de Elevadores Triplex depois da Modernização.
Vemos as novas Máquinas Schindler Semi-Gearless SGB-142, que poisaram direitinhas nos maciços existentes sem que fosse necessário a sua demolição, também podemos observar o bom aspecto com que ficou a Casa de Máquinas depois da Modernização.
À
uns tempos atrás fui até ao Porto e encontrei o técnico de manutenção, que ia a esta
instalação, pedi-lhe para ir com ele ver a bateria triplex que foi modernizada,
e lá estavam os 3 Elevadores a funcionar sem existir nem ruído, nem
qualquer calor na Casa de Máquinas, sinal de que não estava a ser
desperdiçada nenhuma energia em forma de calor.
A Casa de Máquinas da Bateria de Elevadores Triplex depois da Modernização.
Quem
efectuou esta Modernização nos Elevadores deste Edifício foi o Zé
Crespo, que faz parte da minha lista dos melhores e mais perfeitos montadores
de elevadores, o supervisor da modernização foi o Rolando Pinto, e o
técnico especialista foi o Jorge Coelho.
As novas Máquinas Schindler Semi-Gearless SGB-142, e os novos Conversores de Frequência Schindler VF33BR.
Os novos Conversores de Frequência Schindler Vf33Br.
A nova suspensão diferencial de 2 / 1, que nos diz que os motores só precisem de metade da potência para andarem com a mesma carga, além disso esta suspensão é feita por fitas, o que torna a Instalação muito silenciosa.
As cabinas dos elevadores foram totalmente redecoradas, e foram montadas novas botoneiras de cabina Schindler MX-Basic, com display's dot-matrix, nesta fotografia a botoneira ainda está com o revestimento de protecção.
Nos
patamares desta bateria de elevadores triplex modernizados, foram
montadas novas botoneiras Schindler MX-Basic, com display's dot-matrix, nesta
fotografia a botoneira de patamar também ainda está com o revestimento de
protecção.
Nos patamares desta bateria de elevadores triplex modernizados, foram montadas novas botoneiras Schindler MX-Basic, com display's dot-matrix, nesta fotografia a botoneira de patamar também ainda está com o revestimento de protecção.
Conheço este Fernando Sousa de que falo acima à mais de 30 anos, conheço-o desde os anos 80, desde o tempo em que ele ainda trabalhava na empresa Pinto & Cruz, na Rua da Telheira, já o acompanhei a muitas reuniões como esta neste edifício, onde acabamos por ganhar o concurso para a modernização.
Já acompanhei o Fernando Sousa muitas vezes, e já fui com ele a reuniões que foram bastante caricatas, como estas duas que vou contar a seguir, (pedi ao Fernando Sousa para fazer esta publicação).
Como ele me autorizou vou então contar uma dessas reuniões caricatas, onde acompanhei o Fernando Sousa a uma reunião foi num edifício perto da Praça dos Poveiros no Porto.
Então a coisa foi mais ou menos assim:
---Um dia liga-me o Zé Lima, que também é montador de elevadores, e diz-me para ligar para um arquitecto seu amigo que era responsável por um edifício perto da Praça dos Poveiros no Porto, porque ele estava muito desagradado com a empresa que fazia lá a manutenção no elevador.
---Segundo ele o Elevador estava sempre a avariar, fazia muitos ruídos, enfim deu-me um rol de queixas, diz-me que a manutenção é feita por outra empresa, mas pergunta se eu poderia ir lá ver, ou arranjar alguém para ver se dava para fazer algo pelo elevador.
---Falei com o Fernando Sousa, e contei-lhe a conversa que tve com o Zé Lima, sobre este elevador perto da Praça dos Poveiros, e dei-lhe o contacto do Arquitecto.
---Passados uns dias o Fernando Sousa pede-me para ir com ele à instalação, para vermos o que conseguia-mos fazer no elevador, e diz-me que também iria estar lá o tal Arquitecto amigo do Zé Lima, para falar-mos com ele.
---No dia marcado lá fomos, já não me lembro porquê mas acabamos por ir no carro do Jorge Coelho, acho que depois ainda tínhamos que ir a outra instalação, metemos o carro no parque da Praça dos Poveiros.
---Fomos para o edifício que era mesmo ao lado e o Arquitecto já estava à nossa espera.
---E para não variar, quando chegamos ao edifício o Elevador estava avariado, estava no Limite Inferior, lá tivemos que pegar na ferramenta e subir pelas escadas acima, até à casa de máquinas, subimos o elevador à mão e voltamos pó-lo a funcionar, mas depois foi necessário afinar o travão.
---Fizemos um levantamento completo do estado do elevador, desde o tecto da casa de máquinas até ao fundo do poço, a instalação estava toda muito degradada, ficamos todos com as mãos cheias de óleo, o formulário de dados que preenchemos ficou todo sujo com óleo.
---Apontamos tudo o que era necessário fazer para que o elevador fica-se com um bom funcionamento.
---Depois de tudo analisado e apontado no formulário de dados, o Fernando Sousa vira-se para o Arquitecto com aquele tom de voz a que eu chamo, de amigo não engana amigo, e diz-lhe:
---Sr. Arquitecto então é assim, você pinta a casa de máquinas para não haver problema com a vistoria, mas se quiser também podemos ser nós a pintá-la, e para que o elevador fique a funcionar como novo, eu vou dar-lhe um orçamento para o seguinte:
---Aqui
na casa de máquinas temos que montar um novo quadro de alimentação, porque este
não é regulamentar.
---Temos
que montar uma nova iluminação para garantir 200 lux em toda a casa de
máquinas.
---Vamos
mudar o comando do elevador, metemos um novo comando BX, com novas
botoneiras de cabina e de patamar.
---Fazemos
um embelezamento da cabina, e montamos um novo tecto falso com lampadas de led.
---Fazemos uma boa revisão à máquina, aos encravamentos das portas de patamar, e a tudo no poço, e o elevador fica como novo.
Saímos da casa de máquinas, viemos para baixo, despedi-mo-nos do Arquitecto na entrada do edifício, aí o Arquitecto vira-se para o Fernando Sousa e diz-lhe:
---Não se esqueça de me enviar rapidamente a proposta para fazer a reparação no elevador.
---O Fernando Sousa disse-lhe logo, esteja descansado se chegar cedo ao escritório, ainda lhe envio a proposta hoje, senão amanhã sem falta o Sr. Arquitecto tem a proposta no seu "email".
Passado uns dias o Fernando Sousa passou por mim e disse-me:
---Olha aquilo do Arquitecto da Praça dos Poveiros já esta resolvido, o Arquitecto passou o contrato de manutenção para a nossa Empresa, e já me enviou a adjudicação para fazer-mos a modernização no elevador.
---Quem efectuou a modernização desse elevador perto da Praça dos Poveiros no Porto, foi o Jorge Silva de Valongo.
E agora vou contar uma segunda reunião caricata e engraçada, onde também acompanhei o Fernando Sousa.
O Fernando Sousa pediu-me para o acompanhar a uma reunião em Vila Nova de Gaia, para uma possível modernização em dois elevadores de uma outra marca que não a Schindler.
---Tal como nas duas situações anteriores também neste edifício nos foi adjudicada a modernização dos elevadores.
---A Administração deste edifício em Gaia era feita por uma Senhora, que foi quem sempre nos recebeu desde a primeira reunião, ela ganhou tal confiança com o Fernando Sousa, que sempre que íamos ao edifício para falar sobre qualquer assunto, ela recebia-nos em casa dela e fazia-mos a reunião na mesa da sala.
---Mas o mais engraçado que acontecia nesta instalação, é que todas as pessoas que trabalharam nesta modernização, tinham que diariamente ao chegar ao edifício, ver se a Senhora estava e toda a gente tinha que a cumprimentar com 2 beijinhos, toda a gente tinha que fazer este ritual com a senhora, desde os montadores, o Zé Crespo, o Zé Laranjeira, o Alecrim, e até o Supervisor que era o Cabral, todos achavam muita graça a esta situação.
E prontus acabei, se alguém vier a ler esta publicação peço desculpa pelo seu tamanho, mas como trabalhei durante 43 anos em elevadores, e foram muitas as modernizações que tive o prazer de acompanhar já começo a sentir algumas saudades.
Fernando Almeida